• Pubblicazione del 15 Ottobre 2014 ore 19.00
  
  

Angelo Agostini e a charge política no Brasil

Angelo Agostini: Caricatura dell’imperatore Don Pedro II sulla Revista Illustrada.- de Eduardo Fiora -

O senador italiano Fausto Longo, eleito pela circunscrição América do Sul, além de um bem sucedido empresário brasileiro é também cartunista. No encontro que manteve com Italiani, no sábado, 14 de setembro, Longo fez questão de lembrar o grande legado deixado no Brasil pelo chargista piemontês Angelo Agostini entre a segunda metade do século XIX e a primeira década do século XX.
A charge política no Brasil tem em Angelo Agostini, nascido na cidade de Vercelli em 1843, uma de suas principais raízes. Depois de passar a infância e adolescência em Paris, desembarcou em São Paulo em 1859 e morreria no Rio de Janeiro em 1910. A pesquisadora da Unicamp (Universidade de Campinas), Rosangela de Jesus Silva fez seu doutorado em História estudando a vida de Agostini.

O artigo Angelo Agostini: crítica de arte, política e cultura no Brasil do Segundo Reinado é baseado na tese de Rosangela. A seguir trechos da autora.
"Nosso percurso nos indicou que Agostini viveu pouco tempo na Itália e esteve por mais de dez anos na França em companhia de sua avó materna, antes de vir ao Brasil. Lá, ao que se sabe, teria iniciado sua formação artística. Não encontramos documentos ou relatos do artista que comprovem essas informações, porém é bastante curiosa a história do personagem Cabrião (criado por Angelo Agostini em 1866) num periódico homônimo, o segundo do qual fez parte em São Paulo depois do Diabo Coxo".
"A atividade de sua vida que ficou registrada na história do Brasil deu-se por meio da imprensa, mais precisamente a partir de setembro de 1864, no periódico Diabo Coxo. Essa revista representou um novo empreendimento na imprensa paulista em razão de seu formato, que dava grande destaque para as caricaturas. Das oito páginas, quatro eram de caricatura".
"Esse tipo de periódico, com destaque para as ilustrações, popularizou-se no Brasil anos mais tarde e foi uma característica de outras revistas nas quais Agostini trabalhou. A revista era redigida por Luis Gama, ex-escravo, abolicionista e liberal, com a colaboração de Sizenando Nabuco – irmão mais novo do defensor da causa abolicionista Joaquim Nabuco – e, é claro, Angelo Agostini. Esse periódico teve curta duração, tendo cessado suas atividades em dezembro de 1865".
"Em setembro de 1866, Agostini, Américo de Campos e Antônio Manuel dos Reis fundaram o Cabrião, periódico na mesma linha do anterior, cujo traço marcante era o humor e a caricatura".
"A Guerra do Paraguai foi um tema bastante explorado pelo periódico, que elogiou o patriotismo dos soldados ao mesmo tempo em que criticou a forma de recrutamento dos voluntários". A figura de D. Pedro II foi sempre muito respeitada durante esses primeiros anos, algo que não continuará no trabalho de Agostini no Rio de Janeiro. Lá, o imperador será alvo de muitas críticas por meio de caricaturas jocosas".
"Em 1876 Angelo Agostini fundou a Revista Illustrada, que foi considerada sua grande obra. (...) As páginas da Revista Illustrada foram palco de grandes discussões das questões nacionais, das denúncias de violência contra o negro, da vinculação de um novo projeto político-social para o Brasil, fundado num regime republicano e liberal, de mudanças no panorama artístico, da consagração de artistas, entre tantas outras questões, sempre num âmbito mais amplo possível, favorecido pelo didatismo das ilustrações."
"Em 1895 funda o D. Quixote. Agostini se sentiria agora o cavaleiro solitário a lutar contra os invencíveis moinhos de vento, como na obra de Cervantes? Seus ideais de República não se concretizaram, a abolição da escravidão não teria resultado em grandes progressos sociais. A revista durou até 1903, mas sem o mesmo sucesso da outra publicação. Depois desse empreendimento Agostini só fará participações em outros periódicos, como n’O Tico tico, revista infantil que circulou de 1905 a 1959, fundada por Luís Bartolomeu."
"Refletir sobre o trabalho de Angelo Agostini nos permite encontrar vestígios de uma memória crítica ao sistema político, artístico e social do Brasil no Segundo Reinado, abrindo-nos assim mais uma possibilidade de confrontação de documentos e de discursos, atividade essencial no trabalho historiográfico."

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